A inspiradora história da primeira mulher a correr uma maratona

Existem diversas maneiras de homenagear o público feminino no Dia Internacional da Mulher, mas neste 8 de março de 2017, o Eu na Correria conta a história de duas mulheres incríveis e corajosas que se transformaram em mitos dentro do esporte, em especial na corrida.

Em 1966, a americana Roberta Gibb inscreveu-se na Maratona de Boston como o nome masculino de Bobbi Gibb e, embora não houvesse nada no regulamento  da época que proibisse oficialmente uma mulher de participar da competição, obviamente existia o preconceito e a prova era somente feita por homens. Com trajes masculinos e com o cabelo coberto, Roberta completou a prova sem que a organização notasse que ela era mulher. Corajosamente, Roberta provou que uma mulher era tão capaz quanto um homem de concluir o desafio dos 42 quilômetros.

Roberta Gibb - Eu na Correria
Roberta Gibb

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Pai e filho na correria – conheça a história de Rodrigo e Biel

Rodrigo e Biel, pai e filho correm juntos - Eu na CorreriaA história inspiradora da vez é do Rodrigo Rocha, 36, e seu filho Gabriel, 14. Parceiros de corrida há três anos, quem passa pela dupla nas provas em que participam se surpreende pela maneira atípica com que os dois encontraram para fazer corridas de rua. Biel, como é carinhosamente chamado, tem paralisia cerebral e por causa dos problemas motores, muitos de seus movimentos foram comprometidos. Mas, aos olhos de Rodrigo – um pai ousado e cheio de amor -, isso nunca foi uma grande impedimento para que o filho pudesse viver um pouco do que os corredores vivem.

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Mãe, avó e corredora

Avó corredora - Eu na Correria

O mundo está cheio de mães corredoras, mas quantas avós corredoras você conhece? Pois é, imagino que não muitas; contudo, elas existem e um dia desses tive o privilégio de encontrar uma na corrida do Batom que aconteceu anualmente na cidade de Guarulhos.  A avó em questão é Regina Célia Lima Rebouças, que no alto dos seus 82 anos, convenceu a filha a inscrevê-la na prova de 5KM e cruzou –  com louvor –  a linha de chegada. Continue reading “Mãe, avó e corredora”

Corredor Paulo Lacerda, o cara das longas distâncias e das corridas contra o tempo

Corredor Paulo Lacerda

Há pouco tempo, tive o privilégio de conhecer um dos corredores mais velozes de Guarulhos: Paulo Lacerda ou Paulinho, como é chamado por muitos amigos. É um atleta inspirador, daqueles que a gente bate um papo e depois sente vontade de colocar o tênis no pé e sair correndo por aí. E não à toa, quem o conhece bem, sabe que sua força reside na paixão que nutre pelo esporte e, talvez, seja justamente por todo esse amor que, para ele, não há nenhuma prova impossível de ser feita. É tudo uma questão de treino, simples assim. Haja vista seu extenso currículo, com mais de 50 maratonas, mais de 15 ultramaratonas, uma média de 1.000 corridas de distâncias menores e três Ironmans. Para se ter ideia do quanto tudo isso significa em números, totalizando todas suas corridas, poderia ter dado uma volta ao mundo, já que para tal façanha é necessário percorrer um pouco mais de 40 mil quilômetros.

Segundo Paulo Lacerda, seu envolvimento com a corrida começou há 20 anos e de maneira totalmente despretensiosa. “Sempre gostei muito de esporte e apesar de acompanhar provas de corridas pela TV e pedalar às vezes, só jogava futebol. No final de 1994, com 30 e poucos anos, conversando com um colega de trabalho, ele disse que havia feito a São Silvestre e que correria novamente naquele ano, então, ele me convidou para ir junto e aceitei. Começamos a treinar cerca de dois meses antes e, em 31 de dezembro de 1994, fiz minha primeira prova oficial. Fizemos treinos extremamente amadores, eu e ele corríamos por conta, e mesmo sem nenhuma base consegui completar o percurso em 1 hora e 13 minutos. Fiquei bem contente com meu tempo”, relembra.

E se começar numa São Silvestre parece ser incomum para a maioria dos iniciantes, Paulo ultrapassou todas as expectativas ao ir correr sua primeira maratona três meses depois. “Após a São Silvestre não parei mais, começamos a procurar outras provas e em março fui para a minha primeira maratona em Ribeirão Pires. Ainda treinávamos sem instrução de um profissional e não tínhamos sequer uma alimentação adequada, contudo, a corrida tocou tão forte em mim, que não enxergava dificuldade em nada”, conta.

Resistência ou persistência?

Se existe alguma explicação óbvia para tamanha disposição, é difícil dizer, mas para o atleta, o estilo de vida interiorano que levava antes de vir para Guarulhos o ajudou e muito a progredir nas corridas logo de início. “Acredito que o meu biótipo ajude também, mas sou do interior de Minas Gerais, e só para ir e voltar à escola todo dia, andávamos quatro quilômetros. Como morava em sítio, para comprar algumas coisas tinha que ir até à cidade e, às vezes, fazia o percurso correndo. Desde muito cedo, mesmo que sem perceber, caminhava e corria bastante”, explica.

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O momento em que a corrida tornou-se prioridade

Quem já caiu nas graças da corrida sabe o quanto o esporte pode ser transformador. E as transformações não se limitam apenas ao aspecto físico. Claro que o corpo muda, mas junto com a mudança corporal também há uma mudança mental. Passamos a priorizar uma alimentação mais saudável; as bebidas alcoólicas começam a ficar cada vez mais restritas; as baladas com os amigos cada vez menos frequentes; o horário de dormir é importantíssimo, sendo que no outro dia é preciso treinar; e parte do salário passa a ser destinado às corridas, aliás, com os preços das corridas uma parte generosa, diga-se de passagem (risos).

É fato, as prioridades mudam e foi exatamente o que aconteceu com Paulo. “Quando o bichinho da corrida morde, não tem jeito. No início, comecei a alternar os jogos de futebol e as corridas e achava que nunca pararia de jogar bola, porque gosto muito de futebol. No entanto, por ser um esporte de contato, acabei me machucando e não pude fazer a prova “Volta à Ilha de Florianópolis” (150 KM), em 1999. Mesmo assim fui com a equipe em que eu estava inscrito, acompanhei toda a prova e os últimos 500 metros corri igual um saci, pois estava com o pé enfaixado. Depois disso decidi parar com o futebol e priorizar as corridas. Nunca me lesionei correndo”, afirma.

A partir dessa escolha, a vida do atleta nunca mais foi a mesma. A corrida tomou uma proporção tão grande que, em 2004, entrou para a assessoria esportiva Trilopez – pela qual compete até hoje –, iniciou o preparo para provas de triátlon e começou a fazer provas cada vez mais longas. E sobre abandonar as pistas, ele é enfático: “Enquanto Deus me der saúde, vou correr”.

Além da superação pessoal, Paulo ainda destaca a importância das amizades. “Ganhei muitos amigos por causa da corrida e depois que participei da Comrades tornei-me bastante conhecido pelas matérias publicadas na revista Contra-Relógio (publicação específica no segmento). Outra prova que me projetou bastante no universo da corrida foi a primeira Uphill, feita em 2013. Têm pessoas que me conhece e eu nem conheço, mas a gente sente uma energia boa, positiva, são pessoas diferentes, mas em busca de um mesmo propósito. Só amizades boas”, comenta.

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Convidado de honra em grandes corridas

Por causa dos bons resultados, Paulinho já foi convidado a participar de competições organizadas por grandes marcas. Nike São Paulo Rio 600K foi uma delas. A prova é parecida com outros revezamentos de longa distância que acontecem pelo mundo, como, por exemplo, a Hood to Coast, nos Estados Unidos, que também é patrocinada pela Nike.

Outro convite honroso foi para participar da primeira Mizuno Uphill Marathon. Paulinho foi um dos 50 convidados e chegou em segundo lugar. Neste ano, participará da Uphill fazendo o Desafio Samurai, categoria com apenas 25 vagas destinadas a atletas com coragem de encarar no mesmo dia as provas de 25 e 42 quilômetros.

Corredor Paulo Lacerda na Mizuno Uphill Marathon
Correndo na Mizuno Uphill Marathon
Paulo Lacerda ao lado da sua estante de troféus
Paulo Lacerda ao lado da sua estante de troféus

Medalha conquistada na ultramaratona Comrades, em 2007
Medalha conquistada na ultramaratona Comrades, em 2007