Grávida pode correr?

Por Val Oliveira 

Corrida para grávidas - Eu na Correria

É consenso entre os profissionais da área médica e da educação física de que todas as mulheres podem e devem praticar atividades físicas durante a gravidez, e que aquelas antes sedentárias, devem começar lentamente, até tornar a prática comum. Mas e correr, será que pode?

Segundo Ricardo Zanuto, nutricionista, professor de educação física e doutor em fisiologia do exercício, mulheres grávidas podem praticar atividade física, incluindo a corrida, desde que tenha liberação médica e acompanhamento de um profissional de educação física. “É recomendado acumular 150 minutos de atividade por semana e a sessão de treino não deve ultrapassar 30 minutos”, diz Ricardo.

Também de acordo com a ginecologista e obstetra Mariana Bignardi Halla, a prática regular de exercícios colabora para “reduzir as dores lombares; melhorar a constipação intestinal; diminuir o risco de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e parto cesárea; promover o ganho de peso saudável durante a gravidez; melhorar o condicionamento físico geral e fortalecer o coração e os vasos sanguíneos e ajudar a perder o peso adicional depois que o bebê nasce”, informa Mariana.

Outros benefícios

A prática de corrida melhora a disposição e ajudar a manter um estilo de vida mais ativo e saudável. Além dos benefícios já citados, a ginecologista enumera outros ganhos que o exercício pode proporcionar:

“A corrida melhora o fluxo sanguíneo placentário contribuindo para uma melhor oxigenação do feto. Além disso, correr libera dopamina e serotonina, neurotransmissores que acalmam e dão sensação de bem- estar, contribuindo para um sono melhor e alívio do estresse. Mãe calma, bebê calmo. Também evita o ganho excessivo de peso materno, o que resulta em menores chances de um bebê macrossômico (grande demais) e melhores condições para um parto normal” detalha Mariana, dizendo também que a gestante pode correr, em média, até a 32ª semana de gestação, dependendo de cada situação.

Cuidados e riscos

Contudo, não é porque a corrida é indicada para grávidas que as gestantes podem sair correndo por aí, sem preocupações. O professor Zanuto recomenda que a prática do exercício seja interrompida quando notar sintomas diferentes, em especial, tonturas e dor de cabeça. Além disso, a grávida deve sempre monitorar a frequência cardíaca durante o treino e evitar as atividades em ambientes quentes e úmidos.

“A corrida pode ser prejudicial quando a frequência cardíaca da mãe se mantém muito elevada. No último trimestre da gravidez, a corrida não é indicada, já que o volume abdominal pode aumentar o risco de queda. Em outros casos, algumas grávidas têm complicações durante a gravidez, o que impossibilita a realização de qualquer tipo de esforço. Quando aparecerem sintomas como sangramento vaginal, dispneia antes do esforço, tontura, dor de cabeça, dor no peito, fraqueza muscular, dor ou inchaço na panturrilha, diminuição dos movimentos fetais (uma vez que tenham sido antes detectados) e vazamento do fluido amniótico, a atividade deve ser suspensa imediatamente” declara Zanuto.

Já a ginecologista explica que, com a “confusão hormonal” que se instala no corpo durante a gestação, “há o aumento da relaxina, amolecendo as articulações e deixando as grávidas mais propensas a quedas e entorses. Com o aumento do peso na pelve/abdome, há mudança do centro de gravidade, favorecendo desequilíbrios e dores lombares. O aumento global do peso materno sobrecarrega articulações, podendo causar lesões. Se o exercício for muito intenso, pode prejudicar o fluxo placentário ou até levar ao trabalho de parto prematuro”, diz Mariana.

Correndo em um novo circuito

Corrida para grávidas - Eu na Correria

A comissária de bordo Aline Cassiano Guedes está grávida de três meses e pratica corrida há um ano e oito meses. Acompanhe o relato da corredora sobre como ela está conciliando o primeiro trimestre de gestação com os treinos e corridas de rua:

“Comecei a correr porque queria participar de provas oficiais. Além disso, sou ex-fumante e procurava algo que ajudasse a aliviar a ansiedade causada pela abstinência. Treino em média duas vezes por semana e participo de provas no fim de semana.

Faço acompanhamento médico desde que descobri a gravidez, com quatro semanas. Fui orientada a diminuir a frequência e a intensidade da corrida e a não deixar de praticar outras atividades como a musculação, que faço há quase dois anos.
Correr grávida cansa um pouco mais, daí a importância de diminuir o ritmo. Atualmente me hidrato um pouco mais do que antes.

A alimentação também precisa ser observada já que, normalmente, as corridas são realizadas muito cedo, horário em que ocorrem alguns enjoos. Entendo que a corrida gera um bem-estar muito grande; só é preciso você se conhecer bem e respeitar os limites do corpo.

A corrida sempre me aliviou e vai ajudar muito em relação à gravidez. Tenho certeza de que a recuperação no pós-parto vai ser boa e rápida. Nosso corpo tem memória; logo, todos os hábitos saudáveis que já tenho vão colaborar na recuperação.
Ainda não tenho ideia se o peso do corpo vai me limitar muito, mas pretendo correr respeitando os sinais do meu corpo e do bebê.
É importante lembrar que corro sob orientação médica; que eu já corria, treinava e tenho condicionamento físico”, relata Aline.

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