Um amor para a vida e para a corrida

Corredores namorados - Eu na CorreriaMarília e Guto traduzem bem o provérbio de que sozinho pode-se até chegar mais rápido, mas acompanhado é possível ir muito mais longe. Ele já fez 7 maratonas, ela já fez 5, e ambos têm no currículo mais de 5 edições de meio Ironman. Casados há mais de 20 anos, além do amor, a parceria no esporte é outro fator que os une. Do número das competições citadas, em quase todas estiveram juntos.

Apesar de hoje o casal participar de algumas corridas e pelo menos dois triátlons por ano, Marília relembra que nem sempre foi assim. “Na adolescência praticava esgrima, mas parei esse esporte e comecei a correr, sempre gostei de corrida, considero um esporte muito prático, basta colocar o tênis no pé e sair por aí curtindo. No entanto, depois dos filhos, parei com a corrida e quem me incentivou a voltar foi o Guto. Ele começou por uma questão de saúde e me levou no embalo”, conta.

Guto, diferente de Marília, nunca foi de correr, mas tudo mudou depois de uma dura percepção sobre sua aparência. “Iniciei na corrida há uns 15 anos, e o motivo desse meu começo, rumo à vida saudável, é que um belo dia, quando nossos filhos ainda eram pequenos, fui a uma papelaria e lá havia um Papai Noel que mostrava uma promoção de uma máquina que tirava foto instantânea. Aí pensei: vou tirar uma foto com esse Papai Noel, porque eu e meus filhos curtimos muito o clima natalino. Tirei essa foto e ganhei o porta-retrato. Quando cheguei em casa, coloquei o porta-retrato na sala de jantar sem dizer nada a ninguém. Todos jantaram, a maioria se retirou da mesa e eles não perceberam o porta-retrato. Continuei sentado, comendo uma sobremesa e quando olhei para a foto, não sabia quem era eu e o Papai Noel, porque estava com sobrepeso. Naquele instante me senti muito mal e a partir disso decidi que iria mudar”.

O início de uma nova vida

Entre continuar como estava e mudar seus hábitos, Guto optou por seguir pelo caminho da saúde. “Indicaram-me o médico endocrinologista Milton Mizumoto e nunca me esqueço do que ele disse na minha primeira consulta. Ele colocou um atlas do corpo humano gigante sobre a mesa, abriu o livro e me mostrou a imagem de um corpo de uma pessoa obesa com os órgãos expostos e me perguntou: você está vendo essa imagem? Respondi que sim. Ele me disse: isso aqui é você. Ou você segue meu programa de dieta ou você pode levantar e não precisa permanecer aqui, porque não quero seu dinheiro. Assim, bem direto. Ainda completou: no estado que você está não vai durar muito”, relembra.

Esse foi o início da grande virada na vida de Guto e mais tarde também foi a razão para que sua esposa voltasse a correr. “Comecei um trabalho de emagrecimento com esse médico e depois de três meses já havia emagrecido mais de 10 quilos. Um dia esse médico entregou-me um papelzinho com o nome e o telefone de uma mulher e pediu para que eu procurasse essa pessoa. Era uma personal trainer de corrida. Aderi a ideia, mas no início não conseguia caminhar 400 metros sem ficar cansado. A Marília, que sempre me apoia em tudo, também começou a frequentar as aulas comigo, mais para que eu não ficasse sozinho, e a coisa foi fluindo. Começamos a participar de provas de rua de 5 e 10 quilômetros, até que chegou o momento que decidi que faria uma maratona. A Marília dizia que eu era louco, mas eu estava bastante decidido, foi quando fui para uma assessoria esportiva” .

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Das provas de curtas distâncias às maratonas

“Nossa primeira assessoria esportiva foi a do profissional Marcos Paulo Reis (MPR), comecei a treinar com metodologia e planilha e a primeira maratona que participei foi a de Chicago. Quando consegui fazer a maratona foi fantástico, porque ainda era gordinho. Apesar de ter quebrado depois do quilômetro 30, concluir a prova foi mágico”, revela. Marília, que acompanhou o esposo, também se lembra de como foi empolgante vê-lo chegar. “Você não faz ideia de como ele chorou quando cruzou a linha, foi bem emocionante. E Chicago foi uma prova dura, fui com ele e estava 3 graus, um frio surreal. Ele acabou a prova quase que em estado de hipotermia”, recorda.

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Das maratonas para o triátlon

De acordo com Guto, depois de cruzar a linha de chegada da maratona de Boston, ele foi fisgado de vez pelo universo da corrida e, novamente, os objetivos começaram a mudar. “Passei a treinar para melhorar tempo. Depois de Boston ainda fiz umas três ou quatro maratonas. Uma coisa muito bacana que a corrida nos proporcionou, além da parceria, foi que eu e a Marília passamos a fazer turismo internacional atrelado a provas de corrida ou triátlon. Sempre que viajávamos, antes, já pesquisava se havia alguma prova. Gostamos de fazer as provas juntos, fizemos a maratona de Chicago, Berlim, Boston e Porto Alegre, até que migramos para o triátlon depois de mudarmos de assessoria esportiva. No início, ficamos meio deslocados nessa assessoria, porque só fazíamos corrida, até que decidimos comprar duas bicicletas usadas para ver se gostaríamos da modalidade. E gostamos. Só no triátlon já estamos há quase 10 anos”, pontua.

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Correndo mundo afora

Não que corrida salve casamento, mas quem tem a oportunidade de sentar para conversar com o casal, percebe o quanto o esporte pode transformar vidas e nos presentear com momentos inesquecíveis.  “As corridas e o triátlon já nos proporcionaram histórias incríveis. Lembro que certa vez ele teve um congresso na Alemanha e ele virou para mim e disse: o congresso acaba sábado e domingo tem uma prova de meio Ironman na Áustria, vamos fazer? Juro que achei que ele estava brincando, mas era sério (risos), só sei que decidimos ir. Saímos de madrugada da Alemanha, viajamos 7 horas e fizemos. O tênis é nosso companheiro fiel, conhecemos Seattle correndo, fizemos treino de 20 quilômetros em Paris, o Guto correu mais de 20 quilômetros em Roma e já corremos muito no Central Parque [Nova Iorque]”, conta Marília.

E eles nem pensam em parar. Muito pelo contrário, esse ano já fizeram o Ironman de Palmas, no Tocantins, e um projeto para o futuro é a ultramaratona El Cruce de Los Andes, que dura três dias, pode ser feita em dupla e o percurso passa pelos Andes Argentinos.

Conselho de quem sabe ser feliz

“Recomendo a todos que façam esportes, pois o esporte tem o poder de transformar, não só um relacionamento, mas a vida num contexto geral. E um conselho para quem gosta de esporte e está à procura de um par, é: busque um companheiro ou companheira que também goste, porque assim um pode acompanhar o outro e dar força para o outro”, finaliza Guto.

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