Entenda os efeitos do glúten e da lactose no organismo

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Muito tem se ouvido falar sobre glúten e lactose, principalmente porque em alguns casos de emagrecimento, o paciente é orientado a excluí-los da dieta com o objetivo de acelerar o processo da perda de peso e contribuir na melhora da saúde. Mas, afinal, será que glúten e lactose fazem tão mal assim? Apesar de haver certo exagero no consumo de alimentos com essas duas substâncias, algumas pessoas têm intolerância ou sensibilidade alimentar, o que significa que o organismo funciona com dificuldade para digeri-las. Sendo assim, é fundamental entender que existe diferença entre eliminá-los por opção e por necessidade.

O glúten apresenta uma molécula nomeada de gliadina, que não é digerida pelo organismo. Em pessoas predispostas, as moléculas não digeridas, ao entrarem em contato com as camadas mais internas da mucosa intestinal disparam uma reação imunológica no intestino delgado, causando processo inflamatório crônico, responsável pelos sintomas da doença celíaca.

Segunda a médica nutróloga e ortomolecular, Leila Loutfi, a disfunção não se desenvolve em quem não seja portador do gene HLA-DQ2 ou HLA-DQ8, condição necessária, mas não suficiente, para sua instalação. “O diagnóstico de um paciente celíaco requer dois procedimentos: endoscopia, com biópsia de duodeno para identificar a presença do infiltrado inflamatório característico, e a adoção de uma dieta livre de glúten para verificar se há melhora da sintomatologia”, explica. 

De acordo com Leila, em parte significativa dos pacientes, a enfermidade é descoberta por acaso, por meio de endoscopias por suspeita de úlcera duodenal ou refluxo gastroesofágico. Em outros, durante a investigação de deficiências de vitamina B12, ácido fólico, ferro, cálcio e de quadros de anemia e osteoporose, condições frequentes em celíacos. “A doença celíaca vem aumentando vertiginosamente e a questão é que os médicos só pensam no problema em casos de diarreia crônica e emagrecimento, geralmente em crianças. No entanto, hoje se sabe que mesmo pessoas idosas, com sobrepeso e constipadas podem apresentar a doença”, pontua.

Lactose

Já a lactose é um tipo de açúcar composto por glicose e galactose, presente no leite e em seus derivados. Quando algum laticínio é ingerido, a lactose é digerida por meio de uma enzima chamada lactase, essa enzima é responsável por converter a lactose em glicose para que seja absorvida pelo intestino delgado. Quando não ocorre esse processo, alguns sintomas como diarreia, flatulência, dores de barriga e inchaço no abdômen aparecem. Ou seja, a intolerância se caracteriza pela deficiência da lactase, por ser pouco produzida ou ausente.

Intolerância 

A intolerância ao glúten e a lactose pode acontecer desde os primeiros meses de vida ou manifestar-se na fase adulta. E por que isso acontece? A nutróloga explica que existem algumas razões: “A amamentação protege a criança predisposta, tanto com relação às alergias quanto às intolerâncias, mas a introdução de alimentos ricos em glúten antes dos quatro meses de idade aumenta o risco de alergias e sensibilidade à substância, por romper a integridade da mucosa. O uso excessivo de medicamentos, alterações da flora intestinal, cirurgias do estômago e intestino e até o envelhecimento também são fatores predisponentes a esses desequilíbrios”, considera.

Alergia x intolerância 

Outro ponto importante é saber diferenciar alergia de intolerância. A intolerância define-se pela ausência ou deficiência de uma enzima digestiva que torna difícil ou impossível a digestão de um ou mais alimentos.  Enquanto que na alergia alimentar, o sistema imunológico produz imunoglobulinas de um tipo denominado por IgE e reações como erupção na pele, tosse e irritação nasal ou ocular são constatadas minutos ou poucas horas após a ingestão. Há também as reações alérgicas tardias, em que o sistema imunitário produz imunoglobulinas IgG, nessa situação os sintomas podem aparecer depois de horas ou dois a três dias após a ingestão. “As reações clínicas não são tão evidentes e, geralmente, os indivíduos não conseguem fazer uma relação com o alimento ingerido. Alguns autores denominam esse tipo de alergia de sensibilidade alimentar. Exemplo comum é a sensibilidade ao glúten não celíaca, que pode dar sintomas desde retenção de líquidos, fibromialgia, dores articulares, depressão, irritabilidade, até provocar doenças autoimunes”.

Não consumir glúten e lactose ajuda no emagrecimento?

Para a médica Leila Loutfi, depende do caso. “Pacientes celíacos ou com intolerância grave à lactose podem inclusive ficar desnutridos por diarreia crônica e má absorção dos nutrientes. Retirar esses alimentos fará com que eles se equilibrem e inclusive ganhem peso. Com relação à perda de peso, vale lembrar que a lactose é um açúcar e como tal, pode contribuir no excesso de calorias”.

No caso do glúten, o que ocorre, por vezes, é diminuição da ingesta de carboidratos e por isso a perda de peso. Em outros casos, uma melhora do metabolismo como um todo, com diminuição de inflamação e inchaço podem contribuir para uma diferença na balança. Mas isso, apenas em pacientes que apresentem sensibilidade, alergia ao alimento ou a própria doença celíaca.

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